Homossexualidade como uma variação normal da natureza humana

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Enquanto eu lia mais um excelente texto no blog ”Evo and Proud” de Peter Frost, há algum tempo atrás, eu me deparei com uma ”nova” possibilidade para explicar a existência bem como a permanência milenar de comportamentais homossexuais epigenéticos e portanto, inférteis por natureza na população humana. Vários psicólogos evolucionistas tem buscado desvendar o segredo da permanência da homossexualidade nas espécies, especialmente na espécie humana e sabe-se obviamente que a seleção natural parece ser uma impossibilidade para esta função.

Faz um certo tempo também que eu me deparei com a ”teoria do germe gay”, que abriu a possibilidade para uma explicação patológica da homossexualidade. Segundo esta teoria a homossexualidade seria basicamente causada pela infecção de um patógeno que muda o comportamento sexual no hospedeiro e ainda que segundo a teoria, necessitaria deste tipo de contágio para se espalhar por outros corpos, ou seja, o comportamento homossexual. Apesar de existirem inúmeros casos de patógenos que invadem os corpos de suas presas e as transformam em zumbis, ainda parece ser muito cedo para chegar a qualquer conclusão sólida, especialmente aquela que estiver carregada de valores morais.

A teoria do germe gay me parece muito estranha, não em sua concepção, mas em algumas dicas que os perpetuadores de sua possibilidade tem jogado, algumas dicas que parecem caminhar contra a própria teoria.

A primeira delas é a ideia de que o suposto germe gay só causaria a mudança de comportamento sexual em homossexuais exclusivos ou seja, aqueles que só tem atração sexual por homens. É muito estranho pensar porque somente uma minoria dentro de outra minoria deveria ser a única que apresentaria um comportamento derivado de patogenia e não todos outros grupos envolvidos. Bem, parece interessante imaginar que se o patógeno poderia mudar o comportamento sexual de alguns grupos, então poderia ser possível que os germes também estivessem relacionados ao comportamento sexual. Por essa lógica eu só posso pensar que possa estar havendo alguma má fé por parte dos perpetuadores desta teoria, como se ela já pudesse ser considerada como a mais plausível para explicar a existência da homossexualidade. Afinal de contas, se a reprodução sexuada por si só já seria uma resposta  à ação dos patógenos então todo o comportamento sexual seria derivado desta luta homem x patógeno e a homossexualidade seria visto como mais uma estratégia de coibir a ação dos patógenos, assim como seria a heterossexualidade. O mais incrível de tudo é que os perpetuadores desta teoria não só estão plenamente convencidos de suas visões distorcidas da realidade como eles ainda acreditam plenamente que mediante a ”aceitação” desta versão da real teoria dos patógenos e a sexualidade por parte do público ”educado”, imediatamente que a homossexualidade seria oficialmente reconsiderada como um -ismo, uma patologia e medidas médicas como uma vacina deverão ser produzidas para serem oferecidas para a população. São tantos atropelos e eu suspeito que de má fé, que eu não consigo ver como pode ser possível que profissionais com diploma ”Ivy League” possam estar tentando empurrar esta versão dos fatos para a comunidade científica e até mesmo com implicações morais sérias.

A segunda ”dica” é que a teoria do germe gay apareceu como uma resposta final precoce à suposta impossibilidade de que o comportamento homossexual possa ser selecionado direta ou indiretamente. Parece que o % de homens bissexuais que se casam e até mesmo para alguns  mais exclusivos de homossexuais é muito maior do que imaginamos. As estimativas de auto declaração sexual-identitária não parece refletir a realidade quanto à real demografia de homossexuais, partindo da ideia que a sexualidade seja em parte genética e biológica e em outra parte cultural e baseada em escolhas pessoais mediante as circunstâncias. Além desta possibilidade, muito real eu diria, também parece muito provável que a homossexualidade se relaciona indiretamente com benefícios de natureza polimórfica, ou seja, os genes que a predispõe podem ser vantajosos para os irmãos e ou parentes muito próximos de portadores homo-zigotos ;).

A terceira dica que ”eles me passaram” é a de que boa parte dos estudos que encontraram alguma pseudo-correlação entre homossexualidade e patogenia no reino animal são apenas achismos, como muitos dos meus. O achismo número 1# de que a homossexualidade (masculina e exclusiva) é transmitida durante a infância. Como pode ser possível provar isso???

E o achismo 2# é o de que os elementos retirados de dentro do cérebro das ovelhas eram patógenos. Da mesma maneira que os elementos retirados dos cérebros de ratos que se comportam ”como pessoas autistas” também eram patógenos?? Devem existir outros furos dentro deste queijo suíço que para mim mais parece esta (versão da) teoria do germe gay. Eu não pretendo me estender nestas questões, mas pretendo trabalhar a teoria de que assim como para muitos traços físicos e comportamentais, a sexualidade humana também é amplamente variável e esta variação é natural. A patogenia se relaciona à infecção de elementos invasores de nosso corpo que necessita ser eliminado. Como para mim, tudo é um espectro então por que não pensar que possa existir um espectro onde os patógenos encontrar-se-ão em um extremo e os genes (patógenos domesticados***) se encontrarão em outro??

Não podemos dizer que a pneumonia é um modo de vida ou uma escolha, mas podemos dizer que qualquer comportamento humano pode ser parcialmente resultado tanto de genes quanto de escolhas pessoais.

 

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Voltando ao texto de Frost,  algo me chamou muito a atenção aí. Frost disse que os olhos claros foram inicialmente selecionados nas mulheres e depois esta característica foi sendo passada para os homens também. Também poderíamos nos questionar se a cor da pele clara também seguiu o mesmo percurso. Da mesma maneira que a cor dos olhos, um traço polimórfico, foi anteriormente um recurso feminino ou predominantemente feminino, o desejo sexual por homens também poderia ser entendido como um recurso inicialmente feminino mas que com o tempo foi transmitido para uma minoria de homens. Os mesmos caminhos que levaram os olhos azuis das mulheres para os homens também pode ter levado o desejo sexual por homens em homossexuais, das mulheres para os homens. Sabe-se que as mulheres são mais brancas que os homens, na Europa, mas também em praticamente todos as regiões do mundo. Homens com olhos claros tem o rosto mais feminino do que homens de olhos castanhos. Tudo se encaixa perfeitamente nesta teoria.

O mesmo pode ser concluído em relação ao lesbianismo. O desejo sexual por mulheres presente em homens, foi inicialmente um recurso masculino, mas que depois com o tempo foi passado para uma minoria de mulheres. O que no entanto é interessante pensar é que a bissexualidade parece ser muito mais comum em mulheres do que em homens (e os perpetuadores de má fé da versão incompleta da teoria do germe da sexualidade aceitaram isso de maneira tranquila, sem inferir nenhuma consideração quanto à provável patogenia da bissexualidade feminina).

Sabe-se que em populações mestiças a incidência de homossexualidade é consideravelmente maior. Provavelmente, assim como no caso do canhotismo, a mestiçagem pode ser um recurso para produzir uma maior quantidade de homossexuais, visto que a mesma provoca a volta de traços atávicos. A homossexualidade, assim como o próprio canhotismo e o autismo, poderia ser um traço atávico, anterior aos processos de seleção que tendem a reduzir a diversidade fenotípica em prol de uma maioria similar. E existe uma clara relação entre canhotismo, autismo e homossexualidade, ao menos uma correlação estatística mas muito provavelmente, também tem uma relação biológica, de uma mesma origem.

A conclusão deste texto é que assim como no caso da propagação dos olhos claros na população europeia, a homossexualidade, feminina e masculina, também pode ter sido transmitida por meio da variação natural da sexualidade, da mesma maneira que a paleta de cores dos olhos das populações brancas também se transformou em uma herança comum, que produz diferentes fenótipos.

 

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