Teoria da criatividade divergente (criatividade genuína) e convergente (savant style)

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Nem todos os pintores são criativos como Van Gogh.

 

Até muito recentemente a maioria das pessoas dentro da ”ciência mainstream”, acreditavam plenamente que a criatividade não tinha uma natureza primordialmente genética. Por meio de vários trabalhos nas últimas 3 décadas, começou-se ainda que timidamente a veicular a realidade muito óbvia de que assim como para qualquer outro atributo humano, a capacidade criativa, também apresenta grande influência genética em sua composição bem como em sua manifestação individual e coletiva.

Imaginemos que se a ”aceitação” do público quanto a este fato ainda é muito recente, quanto tempo eles iriam aceitar que, nem todas as pessoas que se engajam em trabalhos criativos são por si só criativas também?

O conceito de criatividade se refere especialmente na produção de pensamentos, ideias ou trabalhos novos e de alta qualidade. Então vejamos um exemplo, reproduzir perfeitamente no quadro uma paisagem campestre, é um trabalho criativo??? A grande maioria das pessoas diriam que sim, que é  um trabalho criativo. Bem, a maioria das pessoas votam em candidatos estúpidos em eleições democráticas na maioria das países ocidentais, acreditam em horóscopo, acreditam em resumos de abstrações altamente complexas e politicamente enviesados sobre assuntos dos quais elas não conhecem e não tem capacidade para entender, dentre outros tipos de estupidez… Portanto, não. A maioria das pessoas não podem ter o veredito de coisa alguma em relação aos assuntos que são tratados na psicologia e em qualquer outra ciência, seja ela humana ou não.

A resposta para a minha pergunta é um simples NÃO. Os pintores que apresentam o talento de reproduzir com requinte de detalhes, paisagens, objetos e pessoas e só são capazes de fazer isso (o que por si só já é um grande talento) não são criativos. A criatividade, em seu conceito prático, renega totalmente este tipo de trabalho. No entanto, ela não é somente isso. Criatividade também se refere em auto expressão. Quando um pintor reproduz uma paisagem campestre, ele não está somente reproduzindo uma paisagem, como a maioria pode constatar. Ele também está fazendo com que os futuros admiradores de sua obra vejam o mundo que ele viu e achou tão belo que mereceu um quadro. Tudo na arte se refere a auto expressão.

Um componente não-objetivo da criatividade está presente na maioria dos trabalhos que não visam sugerir novas ideias,pensamentos ou técnicas de pinturas. Portanto, de uma maneira parcial, pode-se dizer que este tipo de trabalho ainda será criativo ou parcialmente criativo. A intenção do autor é baseado na auto expressão, que é um dos componentes culturais, sociais, individuais.. da criatividade, mas a finalização da obra não requer criatividade mas capacidade convergente ou savant-style.

Portanto, os artistas que são capazes de reproduzir com perfeição a realidade em suas telas, mas ”somente isso”, não são criativos, porque elas não estão buscando criar novas ideias, pensamentos ou técnicas que possam revolucionar em suas respectivas áreas de atuação.

 

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Tela de Akiane Kramarik

 

A tela de Kramarik é linda, mas não precisou de criatividade para ser realizada. Pessoas com a Síndrome de Savant são particularmente excepcionais neste tipo de trabalho. É possível pensar se os pintores convergentes apresentam alguns traços autistas ou de savant para que possam desenvolver os seus trabalhos de alta qualidade como este acima.

Quando comparamos as telas do mestre Van Gogh com as telas da talentosa Akiane Kramarik, americana de ascendência lituana, nós vemos dois aspectos particularmente distintos: a criatividade de Van Gogh ao representar uma paisagem por meio de formas geométricas completamente distintas do habitué, sensação de profundidade e de conexão entre todos os elementos da pintura e o realismo de Kramarik ao reproduzir a imagem de um homem (provavelmente de Jesus) quase que como se fosse um retrato de fotografia. Ambos se assemelham mediante a ênfase em externalizar o seu eu ou a auto expressão, enquanto que se diferem fundamentalmente porque não há nada de novo na pintura de Kramarik enquanto que muitas propostas são sugeridas no trabalho de Van Gogh. Em termos de qualidade, vemos ainda que Kramarik consegue chegar a um nível maior de perfeição, mas a menor qualidade de perfeccionismo de Van Gogh é completamente suprida por sua criatividade. Nós não precisamos, em termos criativos, de telas que nos mostram a realidade que os nossos olhos veem todos os dias. Nós precisamos também ou principalmente de telas ou quadros que possam reunir beleza, que é o que se busca em um trabalho criativo de alto valor, e ao mesmo tempo a novidade, que nos impõe o sentimento da dúvida, da contestação. Basicamente, a criatividade de alto nível requer a combinação do trabalho convergente com o trabalho divergente. A criatividade completamente divergente pode resultar em qualquer coisa como as telas abstratas das artes modernas. Mas eu não concordo e não posso concordar que algumas ”pinturas” deste ”segmento” possam ser algo a mais do que um simples deboche quanto à estupidez da classe média educada e intelectualmente raquítica do Ocidente.

Como resultado, a verdadeira criatividade ,externalizada por meio de suas obras finalizadas, é exatamente a combinação de ideias convergentes com ideias divergentes enquanto que a produção artística de alto valor derivada de alguns componentes não-objetivos da criatividade como a auto expressão é uma manifestação ou replicação não-criativa mas de alto nível, da criatividade. A maioria se não, todos os artistas convergentes, ou seja, não-criativos de alto nível, muito provavelmente apresentam características hereditárias ou formadas durante o período gestacional de suas mães, que se relacionam com vários elementos cognitivos presentes nos portadores da Síndrome de Savant.

Os artistas divergentes ou genuinamente criativos, precisam a priori, de apresentar o talento criativo que possa combinar o trabalho de alto nível com novas ideias.

Criatividade, extremamente rara em indivíduos extremamente raros

A maioria dos artistas são replicadores de técnicas anteriormente desenvolvidas. A criatividade, em seu estado mais puro, se encontra justamente no princípio da mudança, no desenvolvimento das novas ideias durante o seu estado de gestação. Pode-se comparar a criatividade com o Big Bang, a grande explosão que produziu o universo onde nós vivemos . O contínuo processo de expansão do universo nada mais seria metaforicamente falando, do que o processo de expansão das ideias criativas por meio da replicação. A pintura convergente ou qualquer outro trabalho convergente, se baseia na replicação ou melhoramento tímido e bem calculado de técnicas anteriormente estabelecidas. O talento para pintar de maneira realista  parece estar cravado ”em nossos genes” e especialmente nos artistas convergentes, que parece sugerir que existem componentes essencialmente biológicos que são responsáveis por essa capacidade. É só vermos os savants artistas. A criatividade, mais uma vez, apesar de também estar cravada ”nos nossos genes”, é essencialmente a capacidade para manipular ideias retidas de nossa capacidade de ver a realidade, com ideias completamente novas, derivadas de nossa capacidade para imaginar o mundo de maneira irreal.

A criatividade genuína, o princípio ”de tudo”, com certeza que será muito rara. O nascimento do (deste) universo se equipara ao trabalho da criatividade pura e divergente, realizada por primazia pelos gênios criativos.

A conclusão é que a criatividade, especialmente quando ao seu conceito mais prático e objetivo, não se baseia em replicar ideias já estabelecidas, mas em produzir novas ideias. A maioria dos ”criativos” atualmente, não são puramente ou genuinamente criativos, mas uma combinação de replicadores das ideias criativas anteriores com alguns talentos criativos. A criatividade de alto nível ou de gênio é por si só a produção de algo completamente novo, o ”princípio de tudo” e são muito poucos os seres humanos que são capazes de produzir este tipo de trabalho. Por meio da pintura, um exemplo de trabalho criativo, eu demonstrei que os pintores realistas não são necessariamente criativos, especialmente se eles só são reprodutores da realidade ( equivalente ao ouvido absoluto dos instrumentistas talentosos). Da mesma maneira que a maioria dos instrumentistas, violinistas, pianistas, podem não ser tão criativos quanto imaginávamos, apesar do fato de que eles são replicadores de sucesso e maestria do legado de seus mestres. O compositor é muito mais criativo que um instrumentista, da mesma maneira que um pintor divergente é muito mais criativo que um pintor convergente. No entanto, a arte não é somente a novidade mas também é auto expressão.

Todos aqueles que trabalham com arte (com uma provável exceção de muitos ‘artistas’ abstratos) são mais criativos do que aqueles que não trabalham ou (especialmente) não tem talento para este tipo de trabalho.  Mas o talento criativo genuíno e portanto de gênio é extremamente raro e geralmente dá início a novos movimentos sociais, artísticos, culturais, filosóficos, científicos… é raro e tem um impacto de um mini big bang na realidade humana conhecida.

Portanto, em uma interpretação objetiva, a criatividade só pode ser divergente e de alto nível.

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Impacto da criatividade genuína ou em sua forma mais pura, o resto é replicação

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