Inteligência, um conceito multidimensional (parte 1)

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Introdução e Breve Histórico

Com a entrada da humanidade na segunda década do século XXI o debate sobre as características biológicas dos seres humanos tornou-se ainda mais intenso, visto que neste período demarcado, um acúmulo do reavivamento darwin-galtonista da ciência bio-humana diferenciativa precipitou neste estado de coisas. A vitória daqueles que eu denomino como ”behavioristas” em grande parte entrincheirados em base ideológica socialista de esquerda, deu-se em boa parte devido a sua capacidade de tomada do discurso público bem como da manipulação deste para finalidade prática, também favorecido pela sua anterior tomada dos centros intelectuais ocidentais, ou seja as universidades e a mídia de massa com o propósito de alcance longitudinal da fomentação da cultura e molde civilizacional. No entanto, esta conquista parcial não significou também a total vitória destes em relação ao discurso ulterior, mais profundo, denso e especializado dentro da ciência, visto que o mesmo não se baseou interinamente na razão pura e simplesmente, mas principalmente nos seus próprios pré-bio-conceitos, quer dizer, aquilo que suas naturezas parcialmente favorecem como a sua realidade neuro-social e não a realidade imparcial, aquilo que é e não aquilo que ‘eu vejo’.

Uma das mais elementares batalhas infligidas entre os dois grupos, os darwin-galtonistas deterministas e os behavioristas, foi a demarcação, distribuição e medição da inteligência ou suas possibilidades. Evidentemente que o primeiro grupo já ganhou este debate e boa parte dos demais micro-debates advindos deste maior, visto que é evidente que os seres humanos tendem a exibir diferenças em habilidades intelectuais. No entanto, de acordo com que estas ‘guerras’ foram acontecendo ao longo dos últimos 30 anos, os darwin-galtonistas foram se tornando mais ”defensivos”, menos preocupados em procurar por todas as nuances complexas que o assunto precisa e mais preocupados em atacar os pontos amplamente cotados pelos oponentes ideologicamente comprometidos.
Com o debate ideologicamente viciado um grupo passou a atacar o outro desmerecendo consideravelmente qualquer ponto positivo que o outro poderia ter destacado, ou merecido. Dois exemplos interessantes  podem ser salientados. Por ex, os ”behavioristas” atacaram os estudos de seus oponentes, que reanalisaram prováveis correlações entre os testes cognitivos, ou seja de qi, e traços morfológicos do cérebro como o seu tamanho ou número de neurônios. Eles ao invés de buscar salientar algum ponto positivo neste discurso simplesmente resolveram desmentir os pontos encontrados, extremamente válidos, principalmente por razões ideológicas e dogmáticas e não racionais, visto que a conclusão claramente demonstrava que grupos parcial-aleatoriamente selecionados de pessoas de diferentes grupos étnicos e raciais apresentavam diferenças hierárquicas em suas médias estatísticas, pulverizando o dogma de igualdade da esquerda política. Com a negação dos behavioristas, a possibilidade de que medidas práticas possam fabricar a longo prazo a igualdade racial em habilidades cognitivas tornou-se menos provável ao menos por agora.
Os galtonistas também tem exibido lapsos de comportamento viciado, mais em atacar o oponente do que encontrar o meio-termo, o lugar incomum, que é o determinante da realidade racional, que a ciência desde sempre tem perseguido. Um dos mais constantes tem sido o ataque contra o processo de desconstrução da normatividade realizada pelos behavioristas, processo que se iniciou a partir da primeira metade da década de 20, com Sigmund Freud capitaneando os sucessores de mesmo discurso. De fato, a normatividade (ou normalidade) é algo bastante complicado de ser reconhecido, ela não existe, em qualquer sociedade humana existem inúmeros fenótipos de comportamento bio-social, sendo que um deles torna-se predominante e passa a fabricar aquilo que é normal, mas de fato, o ser normal não é viver as regras impostas pela ou para a maioria mas viver a sua natureza, estar em contacto com a sua verdadeira essência. Desde há muito pouco tempo que incontáveis injustiças tem sido cometidas contra as pessoas que repelem naturalmente o comportamento de rebanho, tão característico nas sociedades humanas, desde os milhões de vidas ceifadas pela opressão da maioria normativamente correlacionada até os casos individuais mais famosos como do cientista Alan Turing, que mesmo depois de suas importantes contribuições à sua sociedade, ainda foi perseguido implacavelmente por causa de se fenótipo bio-comportamental desviante e portanto anormativo.
Estes dois exemplos contemplam parte da proposta fundamental deste texto que é expôr os erros essenciais que estão a ser proposital ou não, cometidos pelos dois grupos intelectuais de debate, sempre buscando desmerecer qualquer ponto positivo que o outro tenha encontrado e com isto, repropor especialmente quanto ao que gere o conceito de inteligência, uma maior amplitude bem como o seu significado menos técnico-prático e mais evolucionário e digamos, humanista, não num sentido humanista como é bem conhecido, devido a sua natureza dogmática moderna, mas como uma maneira de buscar toda as nuances do termo especialmente os traços psicológicos e neuro- morfológicos bem como a identidade que nos torna humanos e a ideia de que quanto mais humano e mais distante do reino animal uma pessoa é, mais complexa e inteligente tenderá a ser, independente dos resultados em testes cognitivos.
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