Inteligência, obsessão intelectual e pensamento divergente parte 4

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Se pudéssemos resumir dois dos atributos mais essenciais para definir  a inteligência sob todos os aspectos objetivos e subjetivos, com certeza que, estes dois traços seriam fundamentais, obsessão intelectual e pensamento divergente.

 
A maioria das pessoas que são superdotadas exibem tendências para a obsessão intelectual. Este traço raro é uma característica quase que totalmente limitada entre os mais inteligentes. A maioria da população (60-80%, dependendo do país) tendem a exibir flashes dispersos de interesse intelectual, mas de natureza mesquinha, visto que para a maioria, o conhecimento quase nunca é visto como o fim, mas como o meio para se chegar ao fim. Pessoas intelectualmente obsessivas não vêem o conhecimento como o meio, mas como o fim, o fazem quase que por osmose, porque apresentam grande curiosidade e estão sempre se aperfeiçoando. A obsessão intelectual funciona quase que como uma espécie de ”vício” que segundo algumas perspectivas, pode resultar em avaria na interação social. No entanto, é evidente que este traço é bastante benéfico. Muitos subtipos derivados da obsessão intelectual são caracterizados por uma espécie de carga energético-cerebral limitada, isto quer dizer, eles desenvolvem ao longo de um período específico de vida, algum interesse obsessivo intelectual, mas a chama se extingue depois de um tempo, especialmente quando conseguem chegar ao ”destino final”. O mesmo não acontece com o típico obsessivo intelectual, onde o fogo do conhecimento jamais é extirpado. Esta energia cerebral permanece durante toda a vida.
A obsessão intelectual quase sempre é mais específica do que generalizada, mas não é incomum encontrarmos típicos intelectual-obsessivos que desenvolvam mais de uma fixação por interesse.
Assim como todos nós buscamos a alegria e muitos o fazem usando a captura momentânea ou não-recreativa de conhecimento para atingi-la, os mais inteligentes, já são felizes por natureza, mais por causa do transe de intelectualismo que os torna, como alguns poderiam sugerir, presos em um círculo sem fim onde quanto mais conhecimento se adquire, mais saciedade se tem para buscar mais, tal como uma pessoa que depois da terceira experimentação de maconha, passa a buscar por drogas mais potentes para saciar a sua gula por alegria artificial extrema. No entanto, vale destacar que as ideias de alegria entre os gênios e as pessoas comuns se diferem consideravelmente, sendo que quase sempre esta se baseia em conquista material entre os segundos enquanto que entre os mais inteligentes, configura-se numa busca existencial e portanto muito mais profunda da mesma, quase que como se tivessem a vontade de materializá-la. A alegria é subjetiva e dispersa em distrações para os estúpidos enquanto que é o completo oposto para as naturezas extremamente enérgicas dos gênios.
 
 
Obsessão intelectual e espectro do autismo
 
 
A relação óbvia entre obsessão intelectual específica e autismo tem sido amplamente observada, desde as primeiras considerações de identificação e diagnóstico. Partindo do pressuposto que o autismo é um largo espectro e que muitos grupos de pessoas não são idealmente identificadas como autistas (aspies e de auto funcionamento), podemos pensar que a obsessão intelectual seja mais comum em pessoas que apresentam uma combinação de traços tipicamente autistas do que aqueles que são predominantemente neurotípicos. Aliás eu poderia sugerir que se este traço aparece de uma forma extrema entre a população autista, então o autismo é o arcabouço de onde este traço se originou e se dispersou pela população e a maioria das pessoas não-autistas com intensos interesses intelectuais apresentam algum alelo derivado do espectro e portanto, pontuam alto em questionários que visam a identificação da condição.
 
 
Pensamento divergente
 
 
O pensamento divergente é considerado uma forma de criatividade, mas eu acredito que ele na verdade tem outra função, mais geral e menos específica, para gerar a atividade criativa. O vejo mais como uma carapaça que dá corpo à criatividade, um traço universalmente presente em qualquer pessoa criativa, independente de tipo ou nível de funcionalidade, relaciona-se à busca pela novidade em essência. No entanto, o pensamento divergente sozinho não é capaz de desenvolver coerência e o que temos costume de ver é a presença invulgarmente alta de pessoas criativas com falta de bom senso e realidade. A  combinação do pensamento divergente com a obsessão intelectual tende a resultar em extrema inteligência, visto que haverá uma tendência de ambos se complementarem positivamente. Daí a excelente capacidade dos gênios, de fato, em perseguirem as ”verdades-núcleo” ao invés de aceitarem as suas ”verdades individuais”. Estes, tendem a acoplar uma na outra, tornando suas existências extremamente coerentes e racionais em um ponto de vista realista, a partir do momento em que vêem o mundo com os seus próprios olhos e não são fracos para serem dissuadidos do ‘senso comum’. Quando se acorda do feitiço da subjetividade social humana, seria como se de tivesse acordado de um sonho confuso e sem nexo, para a realidade, aquilo que os seus olhos vêem de fato e não aquilo que ”querem” ver. O pensamento divergente combinado com extrema inteligência intrapessoal (traço já citado em um texto anterior, inteligência multidimensional), ou seja, extrema habilidade de auto conhecimento e obsessão intelectual, resultam em tipos extremos de gênios, menos marcados por inteligências técnicas e mais por intelectual, especialmente filosófica. Mas mediante tamanha habilidade de mergulho existencial, é possível que estes tipos poderiam fazer com sucesso qualquer tarefa bio-coerente, não relacionada com suas áreas específicas de interesse.
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